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EMOÇÃO EM VERDE E ROSA


A Sapucaí cantou: A Mangueira chegou!

Emoção em verde e rosa. Com o enredo “Mangueira é Música do Brasil”, a Mangueira ficou com o sexto lugar na liga. Mas o que o público viu na Avenida foi uma grande homenagem à riqueza e diversidade da música brasileira. Foi um desfile que mostrou a força da Mangueira. Em toda Sapucaí, as pessoas dançavam e cantavam seu amor pela Estação Primeira.

Logo no início, a escola levantou o público do setor 1. O samba enredo foi cantado em coro, principalmente na hora das paradinhas da bateria, comandadas pelo Mestre Jaguara: "Meu coração é verde e rosa / Descendo o morro, eu vou / A música, alegria do povo / Chegou, a Mangueira chegou".

A comissão de frente, com coreografia do bailarino Jaime Arôxa, abriu o desfile homenageando o compositor e maestro Heitor Villa-Lobos. Ele veio representado ao piano, logo atrás de um grupo de sambistas. Daí em diante, o desfile representou os mais diversos estilos da música brasileira em todos os tempos.

A lista era grande: do samba ao funk, passando pela bossa nova, rock, dança de salão, sertanejo, axé, entre outros. A intenção dos carnavalescos era que a apresentação da Mangueira buscasse, acima de tudo, emocionar o público através da música.

E assim foi: o carro da Bossa Nova trouxe um pouco de nostalgia com dois grandes violões, uma escultura de Vinícius de Morais e as tradicionais ondas dos calçadões de Copacabana e Ipanema. O carro alegórico contou com a presença de grandes nomes, como Carlos Lyra.

Outro artista consagrado que desfilou na Mangueira foi Milton Nascimento, que compareceu na ala do Clube da Esquina representando o movimento musical surgido em Minas Gerais no final dos anos 60. O desfile também homenageou outro movimento da mesma época: o Tropicalismo.

A bateria chamou atenção de todos com uma referência aos anos de chumbo. Seus integrantes apareciam censurados enquanto eram reprimidos por militares, numa alusão à ditadura militar dos anos 60/70. Na mesma linha, a ala Pra não dizer que não falei das flores, lembrando o antigo sucesso de Geraldo Vandré, se referia ao conturbado período.

O rock também esteve presente, com um calhambeque do rei Roberto Carlos em plena Avenida, lembrando os bons tempos da Jovem Guarda. Raul Seixas também foi representado no desfile, assim como os Novos Baianos e a geração do rock brasileiro dos anos 80. O desfile terminou com um toque mais contemporâneo: o funk carioca foi representado com esculturas das "popozudas" e grandes caixas de som.

O desfile da Mangueira emocionou o público tanto pela beleza quanto pela vibração passada na Avenida. E a música que contagiou a todos mostrou que a alegria e a união é que produzem momentos inesquecíveis.